Fazendo um mundo melhor.

Esse blog foi uma iniciativa surgida a partir de uma página criada há alguns meses no Facebook. Os textos e links disponíveis interagem com os posts na página "Criando Sustentabilidade".
A proposta do blog é contribuir para uma legitimação e execução de ações sustentáveis individual e coletivamente.
Tentaremos informar, educar e esclarecer alguns pontos sempre obscuros nesse tema.

domingo, 12 de abril de 2015

Quando se propõe terceirizar leis e salsichas....equilíbrio é tudo.

Em resposta ao apoio de meu representante na Camara Federal ao Projeto de Lei 4330 sobre a terceirização. Redigi o seguinte comentário.


 “Os cidadãos não poderiam dormir tranqüilos se soubessem como são feitas as salsichas e as leis.” Otto von Bismarck.

A terceirização enquanto proposta teórica é interessante, contudo pressupõe que, na prática, tenhamos:

v  Corporações que realmente priorizem sua função econômica essencial, ou seja, comprometidas com o desenvolvimento social e econômico da sociedade além de apenas o aumento de seus lucros anuais e distribuição de dividendos aos acionistas.
v  Um governo que realmente priorize e represente a complexa heterogeneidade de uma sociedade de modo legitimamente democrático.
v Uma ‘classe trabalhadora’ realmente organizada, autônoma e legitimamente representada sem subsídios governamentais.    
v  Pessoas que coloquem interesses coletivos acima dos interesses individuais e prezem pelo futuro.

Isso é utópico, para mencionar o mínimo que se pode considerar diante dessas hipóteses.  Reconheço.

Na minha visão como acontece na prática aqui na República das Bananas:

v  As Corporações atualmente têm como maior preocupação o aumento da lucratividade para manterem-se  ativas. Os acionistas exigem crescimento constante do lucro e aumento do patrimônio para atestarem a solidez dessas empresas e continuarem investindo. Resta a elas diminuírem cada vez mais os custos operacionais. Salário é custo na lógica do mercado financeiro.  
v  O governo é financiado pelas grandes Corporações que elegem políticos que priorizam os interesses delas.  Daí leis que cada vez mais as ajudem na manutenção da tal solidez.
v  Os sindicatos estão com seus recursos garantidos desde a aprovação da CLT(artigos 578 e 579) e as leis trabalhistas como a 6.386/76 garantem a fatia dessa contribuição compulsória ao governo.  Na prática os dirigentes sindicais não necessitam representar os trabalhadores, porque esses ‘representados’, concordando ou não com suas ações geram os recursos necessários para suas atuações e garantem o status quo desses agentes, dando-lhes poderes para defendem seus interesses individuais.  O governo recebe sua fatia e teoricamente deveria financiar o seguro-desemprego com esse dinheiro.  Ou seja, o trabalhador brasileiro paga para não ser representado integralmente e ainda, financia sua própria necessidade de emprego.
v  Esse estado de refém assola a maioria da sociedade que diante do sentimento de impotência começa a priorizar interesses individuais que se estendem, no máximo, ao seu microambiente(família e agregados). Um convite ao caos coletivo e ao estremecimento de toda a organização civilizatória de nossa atual sociedade. Impérios já caíram por muito menos ao longo da história humana.

Diante desses pontos, acredito que antes de aprovarem esse PL, terão que discutir com a sociedade e criar leis que garantam:

v  Um novo tipo de sistema financeiro que realmente exija a Governança nas Corporações e que não possam ser comprovadas apenas como itens contábeis.
v  A proibição de financiamento de campanhas eleitorais pelas pessoas jurídicas.  O cumprimento fiel das leis já em vigência por quem ocupa cargos públicos. A aplicação de 100% dos impostos arrecadados para os fins predeterminados nos planos e orçamentos  públicos nas três esferas governamentais.  Políticos mais íntegros e comprometidos.
v  O fim da contribuição compulsória e a desvinculação monetária dos sindicatos ao governo sobre essa contribuição.  Ao governo caberá apenas fiscalizar suas atuações e os sindicatos pagarão impostos como todas as entidades representativas.
v  Um programa de educação que priorize o desenvolvimento  da análise crítica e lógica de todos os seus cidadãos e não a sua atrofia intencional(como se verifica nos últimos vinte anos nas esferas mais desfavorecidas de nossa sociedade) para que as pessoas sejam estimuladas a considerar a perpetuação da civilização e seu equilíbrio com maior segurança e confiança.


E se tudo der certo, em mais ou menos cem anos, teremos um país onde a terceirização, do jeito que está proposta nesse projeto de lei, será um grande avanço. Apenas uma questão de equilíbrio.

terça-feira, 11 de março de 2014

"Quo vadis,domini?" - A complexa ignorância social brasileira


O que rodou  no meu feed de notícias essa semana me fez parar pra refletir de novo sobre alguns pontos que acho importantes sobre tudo que venho constatando nos últimos tempos, dois posts me chamaram atenção pela paradoxal mas relativa radicalização da nescidade atilada de algumas pessoas. Sagazes representações da complexidade da atual ignorância social que permeia nossa promissora e futurística sociedade. 





As contradições de uma sociedade onde a principal ambição da pequena burguesia é ter título de nobreza......depois me chamam de comunista quando cito a "coisificação" da condição humana aqui no Brasil.Pena que filmes como "Quanto Vale? É por quilo?" não passam na hora da novela.....A extinção do debate e da reflexão sobre os rumos de nossa sociedade se resume na ignorância e no radicalismo caricato que vemos nesse tipo de discurso tão difundido nas redes sociais. 
A complexidade de nossa condição, enquanto seres sociais, não pode ser representada linearmente e nem de modo maniqueísta em ícones como estes. 
Existem abusos institucionalizados historicamente em nossa trajetória nacional que contribuíram e contribuem para esse abismo social que cultivamos silenciosa e sigilosamente no profunda leveza das entranhas de nossos significantes de ser humano.  
Somos todos cúmplices, independente de classe ou casta social. 
Bolsa família como esmola de compensação e a exploração de alguns nichos, tradicionalmente não mercadológicos, sob a égide de "Programa Social" atendendo aos interesses dos herméticos e elitistas grupos de sempre, também não são a resposta. 
O ponto, enfim, não são os Rigobertos nem aqueles que adorariam estar na "pele" dele  e por isso o arquétipo (porque a alienação também é algo invejável algumas vezes, lucidez social impotente também cansa e sai de rolezinho pro shopping ao ritmo do funk) é a disposição de todos nós em construirmos uma governança legítima, justa, complicada, sofrida, pensada, articulada, discutida e extenuante não para nós que aqui estamos mas para aqueles que ainda virão e viverão de nossos despojos e bens depois que a festa acabar.  
 No fim, admitamos, nenhum de nós está muito preocupado com o futuro da sociedade brasileira. Mesmo que ela se traduza em nossos descendentes diretos.
 Incorporamos o refrão "Brasil, o país do futuro" da forma mais conveniente a cada clã familiar existente hoje. Sob o prisma sociológico não queremos mais pescar, nem queremos exatamente só o peixe. Sem prazer não tem graça e se não tem graça não brincamos mais.
O hedonismo é nossa ética norteante dos rumos e caminhos em que estamos e para onde desejamos ir. Já nos adaptamos conformada e confortavelmente à bonança e à prosperidade. 
Admitamos: não sabemos o exato significado de complexidade social porque nos tornamos racionalmente indolentes no atuar e no pensar políticas mais equânimes de convivência e sobrevivência. Sacrifícios e noites sem dormir apenas se tiver o tom de "balada" nas asas do Redbull. 
 Há uma crise fora do quadrado de cada um que não interessa à nenhum de nós realmente. Algum tempo atrás, vi a foto de Karl Max postada aqui. Será que era uma piada mesmo? Fica a dica. 
Pensemos, sem prazer, com objetividade e temperança. Sacrifiquemos nossa atual alienação não pelo radicalismo arcaico e disfuncional baseado na ilusória segurança do acúmulo de bens pessoais, mas pela reconvalescença de nossa sociedade. Talvez assim o prazer se torne virtuoso e nos traga a garantia de nossa preponderância, não apenas como sociedade, como espécie humana sobre esse planeta que continuará existindo com ou sem a gente mais alguns bilhões de anos. Falei. 

     

domingo, 4 de agosto de 2013

O Amarildo e a crise de valores no Brasil.

Para quem ainda se pergunta pra onde vai o gigante que acordou, o Brasil, minha contribuição vai caminhar pela ponta de um dos icebergs nesse imenso mar de complexidade, onde se pode mergulhar(frequentemente com muito espanto e terror) na pesquisa da cultura que se desenvolveu nos últimos quinhentos anos na “Hy Brazil”. (CANTARINO, 2004)
A ponta por mim escolhida: o Amarildo e seu sumiço. Longe de ser apenas um caso local,  vislumbra as bases éticas em que a sociedade brasileira parece se assentar atualmente, se reconstruindo a partir da meteórica, momentânea e historicamente cíclica prosperidade econômica.
O texto do jovem Luiz Antonio Ribeiro (2013), poeta de 28 anos, ilustra a necessidade de repensarmos como queremos uma sociedade sustentável, consciente, participativa e atuante política e socialmente. 
Mais além: como percebemos e vivenciamos o significado da palavra sociedade.
“Precisamos saber o que se passa nessa forma de governar em que jovens de classe média levam bala de borracha e moradores de favela levam tiros de fuzil.“
Pois é Luiz, precisamos saber ou admitir o que já incorporamos como inquestionável e intocável ética, baseada na lógica da diferença, que emerge da temeridade decorrente da 'coisificação' do humano?

Por lógica da diferença entende-se a necessidade quase obsessiva dos brasileiros em serem tratados como nobres e superiores mediante seus pares. Os especialistas de marketing conhecem bem os comportamentos decorrentes dessa lógica e a exploram como ninguém quando da criação do valor agregado nos produtos e principalmente nos serviços.

O medo crônico e latente da ‘coisificação’ (MARX, 2003) -brilhantemente demonstrada nos Manuscritos de Paris- do significado de ser dentro da sociedade brasileira é dissecado e estudado, há anos, pelos filósofos e sociólogos de plantão na extenuante reflexão sobre como as dinâmicas sociais constroem o caleidoscópico e anárquico véu de contradição inerente nas esferas políticas e econômicas desse país.
Uma monografia muito interessante de sociologia,  “Trabalho Informal, Sofrimento e alienação noséculo XXI – o trabalho nas ruas de Salvador” de Bruno José Rodrigues Durães, nos dá um excelente embasamento teórico para esse incólume pavor sombreado e alienante. Vale à pena ler e refletir.

A ética decorrente desses fatores (o medo e a lógica da distinção) contém em si valores que se associam a significados peculiares. Analisemos a imagem que circulou nas redes sociais essa semana, excelente percepção, diga-se de passagem. Você acha reducionista e exagerada? Talvez, mas depende de onde e quais pontos você considera para entender sua profundidade e contribuição para sabermos, por exemplo, “onde está o Amarildo”.... 


Pontos que devemos levantar pesquisar e considerar cujas decorrências estão expressas nesse quadro:
- Nossa herança cultural de uma sociedade colonial, trezentos anos constituída economicamente com mão-de-obra escrava, sob os efeitos telúricos de uma lei medieval de D.Diniz I(1261-1325) que proibia que o trabalho braçal fosse executado pela nobreza sob pena de marginalização social. (HERCULANO, 1998)

- As históricas bases da formação militar do Brasil Colonial.  (MELLO, 2009)

- As bases antropológicas da formação do povo brasileiro e outras tantas  pérolas culturais refletidas de modo irreverente no filme "Quanto vale ou é por quilo?".
Quem sabe, depois de todo esse trabalho, quiçá entendamos a crise, o quadro, o sumiço do Amarildo, nossa indiferença e engulamos a nossa risada ao ver, pela primeira vez, essa imagem. Talvez sob o domínio da lágrima e do pesar resultantes de nossa tomada de consciência, reflitamos com mais comprometimento, sobre o momento crucial em que nos confrontamos enquanto sociedade do "conhecimento". 

Talvez, despidos de nossa conveniente e eleita alienação, possamos reinventar nosso cotidiano social, reestruturando os valores e construindo uma ética com princípios mais humanos, mais sustentáveis, mais solidários, mais honrados e coerentes. Talvez esse seja o real caminho da libertação dos grilhões de séculos de medo existencial. 

A fim de deixarmos de representar os piores aspectos de sermos a contemporaneidade dos milênios enquanto povo, agora acordados e sedentos por mudanças, possamos caminhar juntos como componentes sinérgicos de um gigante mitológico que precisa se encontrar, se educar e crescer. Talvez ao final da estrada encontraremos não só os Amarildos para um abraço, mas também a inefável felicidade de sermos 'apenas' humanos despojados de nossos títulos nobres e de nossa mentecapta arrogância. Talvez, quem sabe?  

Referências Bibliográficas

CANTARINO Geraldo Uma ilha chamada Brasil: o paraíso irlandês no passado brasileiro [Livro]. - Rio de Janeiro : Mauad, 2004.

HERCULANO Alexandre Historia de Portugal, volume 3 [Livro]. - Barcarena : Editoral Presença, 1998.

MARX Karl O trabalho alienado, primeiro manuscrito [Livro]. - São Paulo : Ed. Martin Claret, 2003.

MELLO Christiane Figueiredo Pagano de Forças Militares no Brasil Colonial: Corpos de Auxiliares e de Ordenanças na segunda metade do século XVIII [Livro]. - Rio de Janeiro : E-Papers, 2009.



domingo, 16 de junho de 2013

Vandalismo Matemático! Contas toscas e reflexões sobre o aumento de R$0,20.

Mobilidade Urbana nessa cidade é essencial para o desenvolvimento da sustentabilidade. Debate e apresentação de ideias também.
Tanta polêmica sobre o preço das passagens, que resolvi refletir sobre isso munida de uma calculadora e meus conhecimentos básicos de matemática, antes de expressar posição e opinião sobre o aumento de vinte centavos.  


Lembrei-me que para considerar justo ou não o aumento do preço da passagem precisava primeiro avaliar os custos com o preço antigo. Como na maioria das empresas no Brasil balanço é uma coisa confidencial, resolvi pegar minha calculadora e algumas informações dispersas no Santo Google e fui às contas, imaginando abrir um negócio de transporte público utilizando apenas meus parcos conhecimentos matemáticos das quatro operações.
Imaginei-me comprando um ônibus com a idade média da frota da cidade conforme as informações dos indicadores da SPTRANS. A idade média da frota é de 5 anos e 6 meses com permissão de 4 anos. Agora, precisava comprar um ônibus.

Bom, no mercado livre é possível encontrar um modelo OF-1722 da Mercedes-benz, - do ano de 2008, capacidade de 46 lugares sentados, diesel, carroceria Marco Polo Torino -  por apenas 120 mil reais.
Nossa! Já me animei até a começar um negócio de transporte. Então, me lembrei das parcas aulas de matemática que tive e calculei quantos passageiros meu ônibus teria que levar para retornar meu investimento. Parti da seguinte conta: 
O preço do ônibus: R$ 120.000,00
O preço da passagem: R$ 3,00. 
Então dividi um pelo outro e o resultado foi: 40.000 passageiros. 
Opa, muita gente!!!! Será que em quatro anos de permissão eu consigo tudo isso de gente andando no meu lindo ‘busão’?  

Daí minha veia matemática saltou e com esforço lembrei das outras aulas de matemática que tive. Peguei o resultado de 40.000 passageiros e dividi pelo número de lugares que tenho disponíveis: 40.000 passageiros : 46 lugares = 869,56 ~ 870. Meu ônibus teria que fazer, no mínimo,  870 viagens só pra que eu tivesse meus 120 mil reais de volta.  Muita coisa, pensando assim já estava quase concordando com o aumento de tarifa. 

Daí eu pensei: quantos dias tem um ano? 365 dias. Se meu ônibus andar uma vez por dia com 46 passageiros sentados, eu teria meu possante pago em:

870 viagens : 365 dias = 2,38 ??? o quê? Bom, usei a subtração pra ter certeza:  
870 viagens – 730 dias(que são o número de dias em dois anos) = 140 dias. 
140 dias: 30 (dias em um mês) = 4,6 o quê??? Olha eu, de novo, na subtração: 
140 dias – 120 dias( que equivalem a 4 meses de 30 dias) = 20 dias. 

Então por minha tosca habilidade matemática, supus que em dois anos, 4 meses e 20 dias eu pagaria meu ônibus. Fazendo apenas uma viagem por dia.

 Lembrei-me que a permissão é de quatro anos...Opa, então o que eu faturar no restante da permissão é lucro! O restante é um ano sete meses e 10 dias.   Animei com essa perspectiva de ganho e recorri à calculadora, pensei assim: 
1460 dias (365dias X 4) X R$3,00 X 46passageiros = R$201.480,00
R$201.480,00 – R$120.000,00(o preço que paguei pelo ônibus) = 81.480,00 

Pôxa, desanimei de novo, só 81 mil reais de lucro? Mas me consolei quando me lembrei da proporção sobre meu dinheiro investido inicialmente: (81.000,00 : 120.000,00) x 100 = 67,9% em quatro anos de lucro bruto. Então a proporção de meu lucro bruto por ano seria 16,97%, é muito baixo, porque eu ainda nem debitei os custos... Vejamos:
Suponho que minha única viagem diária percorra 25km, a R$2,00 o preço do litro do diesel. Com um rendimento de 3,4km/litro de meu possante ônibus, meu custo com o combustível nessa viagem será de: (25km : 3,4Km) X R$2,00 = R$14,70. Esse valor eu tenho que multiplicar por 1460 dias ( 4 anos) para encontrar meu custo fixo de combustível: 1460 X 14,70 = R$ 21.462,00 só de diesel. Depois tem os empregados, preciso calcular pra incluir na minha conta, vamos lá: o salário médio de um motorista em São Paulo é de R$ 1.776,60 por mês e de um cobrador de R$ 1. 026,48. Como vou fazer uma viagem por dia, resolvi procurar na internet quanto ganham por hora: R$8,00 o motorista e R$5,00 o cobrador. 

Legal, já poderia calcular, mas tive que incluir aquele monte de encargos que um empregador tem que pagar. Pra facilitar, sem perder a noção de realidade na minha situação imaginária, resolvi dobrar esse valor, já embutindo todos os encargos (R$16,00 motorista e R$ 10,00 o cobrador).
Certo, mas para facilitar ainda mais minha conta, achei que não tinha problema somar os dois valores, então para meu cálculo de despesas com empregados, resolvi jogar R$ 26,00 reais a hora.
Bom, acho que agora estou preparada para elaborar minha tosca conta de custo operacional. Considerando que uma viagem de 25 km na cidade, de ônibus, leva cerca de duas horas, segundo o site da SPTrans (referente a linha 477A-10), então meu custo de pessoal, por dia será de R$52,00. E o custo em quatro anos? Agora fica fácil: R$52,00 X 1460dias X 1viagem = R$75.920,00. O QUÊ????? Desse jeito é muito custo. 

Somando os 21.462,00 do combustível com os 75.920,00 de custo de pessoal, dá um total de R$ 97.382,00 só de custo!!!! Voltei indignada pra calculadora e descobri que realmente, a passagem no valor de R$3,00 para 46 passageiros sentados, uma viagem por dia, durante quatro anos me dará um prejuízo de R$16.382,00 reais. Em proporção: 7,89%:
201.480,00(faturamento) – 120.000,00(o preço do ônibus) – 97.382,00(custo operacional total) =   - 15.902,00.
Pagarei para trabalhar!!! Mas me lembrei de que só calculei passageiros sentados, em uma única viagem. Se adicionar passageiros que concordem em pagar a mesma tarifa e forem em pé, mesmo que espremidos, talvez conseguisse um pouco de lucro.
Voltei pro Google e descobri, numa reportagem que cada ônibus leva 72 passageiros em pé e sentados confortavelmente. Em horário de pico, consegue transportar até 104. Voltei pra calculadora e conferi: 
1460viagens X R$3,00 X 46 passageiros = R$ 201.480,00
1460 viagens x R$3,00 x 72 passageiros = R$ 315.360,00 
1460viagens X R$3,00 X 104 passageiros = R$ 455.520,00
Daí , vi uma luz no fim do túnel. Se levar, como manda a lei, 72 passageiros em minha viagem, somando o custo do ônibus, dos empregados e do diesel numa única viagem de duas horas num percurso de 25km (120.000,00 + 21.462,00 + 75.920,00 = 217.382,00): 
315.360,00 – 217.382,00 = R$97.978,00 de lucro líquido em quatro anos fazendo apenas uma viagem por dia!!!! Ou, na proporção: 31,06%. Ou ainda, 7,8% ao ano. 
Compensa investir num CDB qualquer. Muito risco pra pouco dinheiro, vai que meu ônibus quebra, os possíveis assaltos. O negócio é lotar meu ônibus até onde eu puder, vejamos, se eu levar 104 passageiros:
455.520,00 – 217.382,00 = R$ 238.138,00 de lucro líquido. Uau!!! Ou, na proporção: 52,28% em quatro anos. São 13,07% ao ano. 
Então, se eu fizer uma única viagem de 25km por dia,  durante quatro anos, com um motorista e um cobrador, transportando 104 passageiros, cobrando R$3,00, eu pago meu ônibus em  um ano e ainda tenho lucro? 
Agora imagina se eu fizer mais viagens em um dia, mesmo com os custos de pessoal e do diesel, meu ônibus já pago, então: 
1460viagens X R$3,00 X 46 passageiros = R$ 201.480,00        201.480,00 – 97.382,00(custos) = 104.098,00 lucro líquido. 33%. Ou 8,25% ao ano, por viagem.
1460 viagens x R$3,00 x 72 passageiros = R$ 315.360,00       R$ 315.360,00 - 97.382,00(custos) = 217.978,00. 69,12%. Ou 17,28% ao ano, por viagem. Com 26 passageiros em pé.
1460 viagens X R$3,00 X 104 passageiros = R$ 455.520,00    R$455.520,00 – 97.382,00(custos)= 358.138,00. 78,6%. 19.25% ao ano, por viagem. Lucro mais que dobrado com 58 passageiros em pé. (Será que cabe?) 

Nossa! Em quatro anos eu amplio a frota e fico rica, muito rica. Com essa margem de lucro por viagem, dá para o ônibus quebrar, pagar impostos, ser assaltada. Gente é muito dinheiro! Isso porque nem estou contando aqueles passageiros que entram e saem no meio do caminho. 

Resolvi conferir na vida real. Eu utilizo transporte público então, imbuída ainda de meu parco raciocínio matemático, consultei a SPTRANS, para trabalhar com números reais e parar de me imaginar uma grande empresária de transporte público urbano. Nos indicadores da SPTRANS, só no mês de abril(30 dias), foram computadas 219.384.518 pessoas transportadas numa frota de 15.025 veículos. Fazendo a conta são 487 passageiros por dia para um único veículo, em média - que as mesmas pessoas vão e voltem - 243 pessoas por dia, por carro. Considerando que o mesmo veículo demore duas horas em cada viagem, são, numa jornada de 20 horas, 10 viagens por ônibus ou uma média de 24 passageiros por viagem. Gente!!!! Mas os ônibus vivem lotados!!!! Deve ser teoria da conspiração ou delírio meu quando tenho que me espremer pra achar um lugarzinho no ônibus. Eu que utilizo o serviço, parece tão real a dificuldade e o desconforto!!!! Mas os indicadores não mentem, matemática é uma ciência exata....pra quem? 

Matematicamente, então, não existe problema de transporte público. Será? Realmente acho que preciso aprimorar minha matemática. O que eu não considerei? Talvez que existam problemas de gestão? Talvez que os indicadores devem estar errados? Talvez todos os carros não estejam circulando? Talvez ainda, as pessoas saiam todas num único horário? Talvez existam pessoas que não passem na roleta? Sei lá. O que eu pensar a partir de agora pode ser considerado vandalismo, já que até esse termo está adotando outro significado. 

O que dá pra pensar depois de todo esse raciocínio, é que matematicamente falando,  a passagem com o valor de R$3,00 dá um lucro suficiente para aumentar a frota e enriquecer. Não tem necessidade de aumento. Posso estar errada, pois como já disse antes sou péssima em matemática financeira. Sempre estou aberta às correções e novos aprendizados. Os especialistas que me corrijam e me ensinem como se fazem essas contas! 

 Mas esperemos que as empresas apresentem seus balanços anuais para que a população, assim como eu, pegue a calculadora e faça as contas, isso evitará mais violência e proporcionará um debate aberto e organizado. 

Quem sabe ideias maravilhosas e inovadoras possam surgir? Como por exemplo, maior transparência, menos lucro e mais humanidade no trato com pessoas que devem também ser consideradas humanas apesar de não terem quatro rodas. Ou ainda, melhorar o ensino da matemática ministrado aos gestores públicos e privados para o aperfeiçoamento do planejamento da mobilidade urbana nessa cidade. Ensinar matemática para a população também seria de bom tom, mas isso é outra discussão, para outro dia. 










terça-feira, 9 de abril de 2013

O que há por trás do preço do tomate.


Nos últimos dias no Facebook  houve muita discussão sobre o absurdo preço dos tomates, entre piadas e ironias, as pessoas se mostraram indignadas pela alta de preços de uma fruta(que todo mundo acredita ser legume porque não tem folha e não é doce) tão popular e utilizada em quase todas as saladas nacionais.

Tomate é apenas o símbolo do momento para um assunto e uma questão mais séria: Por que tudo custa mais caro no Brasil? Isso, no fim das contas é que é o bisonho.... Nossa falta de senso para consumir e praticar estratégia de preço. Seja do Tomate, seja do carro, seja do que for. Algumas matérias vinculadas, esse mês, tratam do assunto com maior propriedade.

A questão talvez esteja no que os especialistas chamam de “Efeito Tulipa”. Mesmo não sabendo o que significa exatamente esse efeito, percebo que a maioria das pessoas começam a se incomodar com essa insana estratégia de preços, intuitivamente começam a questionar como tudo é tão caro e como os preços continuam subindo.

Enfim, Efeito Tulipa: “Mania das tulipas, tulipomania, tulipamania, febre da tulipa ou crise das tulipas são expressões referentes a um episódio da História dos Países Baixos que deu origem à primeira bolha especulativa conhecida. Hoje, tais termos são aplicados metaforicamente a qualquer bolha especulativa em grande escala.”  (STRATHEM, 2003 p.24).
Essa mania das tulipas levou os holandeses no século XVI a uma crise econômica sem precedentes. Segundo o mesmo autor:
tulipa semper augustus
As tulipas foram introduzidas nos Países Baixos no século XVI. Suas flores, muito apreciadas por sua beleza, passaram a ser muito procuradas, favorecendo o aumento dos preços. Com o passar dos anos, os preços aumentavam cada vez mais rápido, tornando o comércio de bulbos de tulipas bastante lucrativo. Pessoas de todas as classes vendiam propriedades para investir em tulipas, e em meados da década de 1630 surgiram contratos de futuros para negociar os bulbos antes mesmo da colheita. Em 1637, devido a diversos fatores, houve uma perda de confiança em tais títulos, levando muitos a uma corrida para o resgate de seus investimentos. Consequentemente, os preços caíram subitamente, e inúmeros negociantes foram à falência. (STRATHEN, 2003,p.30)

Livro que recomendo, principalmente, o capítulo um: “Alguma coisa surge do nada”.

Quando se analisa esse comportamento bisonho do consumidor brasileiro, verifica-se a fase de deslumbramento e do avanço do dito “tudo tem um preço” para o ponto em que se encontra o consumidor brasileiro: o preço é tudo.

A dimensão econômica da sustentabilidade brasileira agora é ameaçada pela supervalorização de coisas desprovidas de valor real intrínseco. Reflexo de nossa “ignorância programada” ou reflexo de nosso deslumbre eufórico depois de tantas gerações de repressão consumista? Na minha humilde opinião, é tudo isso e mais: a institucionalização da avareza humana como traço cultural aceito e reproduzido pela sociedade brasileira.

 A avareza e a ganância desmedidas não são próprias de uma sociedade que pretende se desenvolver civilizada e sustentável. Fato.

Voltemos aos tomates então, na lógica da criação de preços ao consumidor, temos os custos fixos e variáveis da produção, somamos impostos e encargos, somamos ainda o lucro mínimo pretendido pelo produtor e....agregamos o valor do desejo do consumidor. Esse último item precisa ser revisto, não pelo distribuidor ou pelo produtor e sim por cada um de nós, consumidores. O foco são tomates, mas as outras frutas e legumes apresentam a mesma lógica. Ninguém comenta porque o chuchu é verde? Ou a abobrinha? Ou o pepino então? Será algum preconceito de cor? 

A noção do quanto mais caro melhor, hoje, comprovadamente é uma grande ilusão. Só no quesito alimentação, uma busca no Google por “restaurante fechado por falta de higiene” nos apresenta milhares de páginas vinculadas de estabelecimentos em todas as faixas de consumo. Temos preço e não temos segurança alimentar. Basta uma viagem para o exterior para comprovarmos que o caro aqui não é caro lá e o produto é o mesmo, muitas vezes viajando até menos para chegar em nossas casas ou mesas. Porque com a tecnologia de hoje o produto viaja e viaja muito. Seja ele um bem durável ou não. 

O tomate é um produto que apresenta época de safra, fim de safra e começo de safra. Como todo produto do gênero. Não temos invernos rigorosos e em algumas regiões podemos ter safras o ano todo. Podemos cultivar qualquer coisa em praticamente todo o território nacional, inclusive em nossas casas e apartamentos. Não há realmente motivos razoáveis para tanta especulação. O CEAGESP divulga o calendário das frutas e legumes de época, mesmo essas ainda apresentam preços abusivos é o tempo próprio delas. Falta alimentos ou falta bom senso?

Se abril é época de forte comercialização de tomate, então em maio, junho e julho época de entressafra, o pagaremos em prestações?

Consumir alimentos de época, observar o calendário completo de safras, é , sem sombra de dúvidas, mais saudável e mais nutritivo. Contudo, deixar de comer esse ou aquele alimento para que o comerciante abaixe o preço, faz parte do jogo de mercado que todo mundo faz questão de participar. Lembrando que aqui joga-se truco e não pôquer, mas na arte do blefe o comerciante é que grita "Doze"!  

Talvez precisemos compreender que não é uma questão de ter ou não o dinheiro pra pagar isso ou aquilo, mas como negociamos para que esse dinheiro cumpra sua função social mais rudimentar de capital dentro de um ciclo realmente produtivo, tanto local como globalmente, gerando riqueza para toda a sociedade e não só para os 1% de sempre. Isso, negociar preços mais justos, também faz parte do conceito de sustentabilidade e da prática sustentável. No limite, quem gasta dinheiro de modo inconsequente é pobre. Rico tem uma outra relação com ele, geralmente o respeita ao ponto de negociar sempre o melhor preço. 

Enfim, outra opção: o cultivo de tomates e pimentões em casa é possível ainda e, além de decorativas, as plantas podem ser cultivadas em vasos e pequenos espaços. Fica a dica.
    
Livro citado:
STRATHERN Paul. Uma breve história da economia. Jorge Zahar Editor, 2003.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Compras Inteligentes e Sustentáveis.

      
  
   Importante para a sustentabilidade de um país é sua população procurar consumir produtos locais, gerando empregos, desenvolvendo a economia e, por conseguinte, a governança viabilizando soluções mais assertivas para as questões sociais. Isso não é novidade. 
     A "novidade" é que agora - para driblar essa nova exigência dos consumidores conscientes -  os produtos informam o "Made in" do país de origem do distribuidor e não do país de origem do Produtor. Tudo para manter os lucros e os custos operacionais baixos, será? 
       Os problemas decorrentes dessa prática, entre todas as questões sociais envolvidas, é que muitas vezes, principalmente no que diz respeito às questões de segurança alimentar, os países produtores não têm o mesmo cuidado que têm os países consumidores nos quesitos de cultivo e de colheita (Incluindo em alguns casos até produtos orgânicos). Tempos atrás, produtos como brinquedos e roupas já apresentaram problemas sérios. 
         Resta ao consumidor consciente aprender a ler os códigos de barras. Os três primeiros dígitos identificam, sem sombra de dúvida, o país de origem. 
         Uma coisa é o poder de comprar aquilo que quiser, ostentar e se sentir importante, pagando um preço baixo. A sensação não tem preço, admito.
       Outra coisa, é comprometer a própria saúde física e mental e a dos entes queridos para manter o poder de compra. Como assim? Clique nas palavras do texto, consulte os links de referência e descubra! 
A escolha é de cada um de nós.  

Comprar inteligente, hoje em dia, não é considerar só o preço, é considerar também a origem exata dos produtos. Pronto, falei! 

Veja a Relação: 


Confira a tabela com o número identificador de cada país no código de barras:
  • 000-013: EUA & Canadá
  • 020-029: Reservado para uso das lojas
  • 030-037: França
  • 040-044: Alemanha
  • 045: Japão (também 049)
  • 046: Federação da Rússia
  • 471: Taiwan
  • 474: Estônia
  • 475: Letônia
  • 477: Lithuania
  • 479: Sri Lanka
  • 480: Filipinas
  • 482: Ucrânia
  • 484: República da Moldávia
  • 485: República da Armênia
  • 486: Geórgia
  • 487: Cazaquistão
  • 489: Hong Kong
  • 049: Japão (JAN-13)
  • 050: Reino Unido (500)
  • 520: Grécia
  • 528: Líbano
  • 529: Chipre
  • 531: República da Macedônia
  • 535: República de Malta
  • 539: Irlanda
  • 054: Bélgica & Luxemburgo
  • 560: Portugal
  • 569: Islândia
  • 057: Dinamarca
  • 590: Polônia
  • 594: Romênia
  • 599: Hungria
  • 600 & 601: África do Sul
  • 609: Maurícia
  • 611: Marrocos
  • 613: Argélia
  • 619: Tunísia
  • 622: Egito
  • 625: Jordânia
  • 626: Irã
  • 064: Finlândia
  • 690-692: China
  • 070: Noruega
  • 729: Israel
  • 073: Suécia
  • 740: Guatemala
  • 741: El Salvador
  • 742: Honduras
  • 743: Nicarágua
  • 744: Costa Rica
  • 746: República Dominicana
  • 750: México
  • 759: Venezuela
  • 076: Suíça
  • 770: Colômbia
  • 773: Uruguai
  • 775: Peru
  • 777: Bolívia
  • 779: Argentina
  • 780: Chile
  • 784: Paraguai
  • 785: Peru
  • 786: Equador
  • 789: Brasil
  • 080 – 083: Itália
  • 084: Espanha (841, 842 ou 843)
  • 850: Cuba
  • 858: Eslováquia
  • 859: República Tcheca
  • 860: Iugoslávia
  • 869: Turquia
  • 087: Holanda
  • 880: Coréia do Sul
  • 885: Tailândia
  • 888: Singapura
  • 890: Índia
  • 893: Vietnã
  • 899: Indonésia
  • 090 & 091: Áustria
  • 093: Austrália
  • 094: Nova Zelândia
  • 955: Malásia
  • 977: International Standard Serial Number for Periodicals (ISSN)
  • 978: International Standard Book Numbering (ISBN)
  • 979: International Standard Music Number (ISMN)
  • 980: Refund receipts
  • 981 & 982: Common Currency Coupons
  • 099: Coupons

 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Cool It - Um Ambientalista Cético (Documentário-2010) questões para refletir.

O documentário de 2010, aborda uma maneira peculiar de refletir sobre os problemas da "sustentabilidade". Entre aspas porque na verdade há uma distorção perigosa sobre como se discutem atualmente as questões e como se definem estratégias de mudança para um contexto de desenvolvimento sustentável. Só acompanhar as notícias sobre o assunto e sua eficácia de divulgação. A lógica parece insana. Quanto mais importante menos divulgado. O caso mais estranho, que exemplifica essa atual abordagem 'lógica" de priorização de assuntos pertinentes ao tema é o dos índios Guarani-Kaiowá e seu suicídio coletivo 

Nesses meses que procederam à Rio+20, "O futuro que não queremos" parece se consolidar enquanto, antagonicamente, "o  futuro que queremos" e seus 283 parágrafos inócuos influenciam cada vez mais os comportamentos da sociedade global em todos os setores. Difícil equacionar tamanha ação auto destrutiva da sociedade humana. Existem milhares de avanços tecnológicos e propostas ambientais que resistem em tentar harmonizar as diferenças e problemas sociais. Parece que o "Nosso futuro comum"(link disponível nesse blog) já foi entendido mas resistimos bravamente em aceitá-lo. Contudo, tomando as palavras de Ain Rand: "Você pode ignorar a realidade, mas não pode ignorar as consequências da realidade".   Seremos nós todos no planeta os futuros índios guarani-kaiowá? Qual contexto será necessário para seguirmos caminhos diferentes? 

domingo, 6 de maio de 2012

O Estudo "Planet and People" da Royal Society.


Working Group member Dr Eliya Zulu, Executive Director, African Institute for Development Policy and President, Union for African Population Studies
Working Group chair Sir John Sulston FRS, Chair of the Institute for Science, Ethics & Innovation, University of Manchester.
O estudo elaborado pela Royal Society tem seu mérito quando aborda as questões que hoje fazem parte da discussão global sobre os rumos da nossa nave-mãe.  Até aí nenhuma novidade sobre o assunto, um olhar mais atento no estudo provoca até aquela sensação: "Tudo do mesmo outra vez"
Contudo, é interessante notar que alguns ativistas criticam esse esforço de pensamento inteligente por uma organização que remonta 352 anos e foi responsável pelos avanços sociais e econômicos que nos levaram a esse "caos apocalíptico capitalista em que vivemos hoje"(como alardem os mais radicais). 
Considero um avanço, em parte,  que uma instituição tão conservadora e ícone do capitalismo e da industrialização desmedida, consiga enxergar melhor e além da sagrada maximização do lucro e da coisificação humana. Já é um começo, e doa a quem doer a ausência e a negligência na elaboração de políticas sociais de longo prazo é uma das grandes vilãs da história. Quer dizer que já reconhecem que até "a batata" deles vai "assar" democraticamente. Esse é o ponto.   Começa a se realizar o sonho de Immanuel Kant: a ciência começa a ser mais "sensível", ao que me parece.
Numa leitura mais atenta nos dados coletados e nas análises apresentadas claro que se nota uma preocupação com o controle populacional nos países mais pobres. Fica óbvia a necessidade de medidas e políticas mais conscienciosas em relação a isso.
Ao contrário do que possa parecer para nós aqui abaixo da linha do equador, não significa que se quer promover a esterilização em massa. Significa que precisamos educar as populações respeitando as individualidades, as gens, as fátrias, as tribos e a família monogâmica. Significa, como bem disse meu Mestre Ladislau Dowbor: "deixarmos de nos comportar perante o planeta como passageiros e começarmos a agir como tripulantes" . Significa o que o relatório da Royal Society recomenda em nove itens:  (numa tradução tosca e livre, sorry)
"1-A comunidade internacional deve trazer os 1,3 bilhão de pessoas que vivem com menos de US $ 1,25 por dia para sair da pobreza absoluta, e reduzir a desigualdade que persiste no mundo de hoje. Isso exigirá esforços concentrados em áreas políticas fundamentais, incluindo o desenvolvimento econômico,  educação, planejamento familiar e saúde .
2-Os mais desenvolvidos e as economias emergentes devem  estabilizar e reduzir os níveis de consumo de material  por meio de: melhorias na eficiência do uso de recursos, incluindo: a redução de resíduos; investimento em recursos sustentáveis, tecnologias e infra-estruturas, e sistematicamente dissociar a actividade económica de impacto ambiental.
3- Saúde reprodutiva e programas de planejamento familiar voluntário  necessitam urgentemente de uma liderança política e compromisso financeiro, tanto nacional como internacionalmente. Isto é necessário para continuar a trajetória de queda da taxa de fecundidade , especialmente em países onde a necessidade insatisfeita por métodos anticoncepcionais é alta.
4- A questão População e  ambiente não deve ser considerada como duas questões distintas. As mudanças demográficas e as influências sobre eles, devem ser incluídos em debate econômico e ambiental e planejamento em reuniões internacionais , como a Rio +20 Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável e reuniões subseqüentes.
5- Os governos devem perceber  o potencial de urbanização para reduzir o consumo de materiais e impacto ambiental através de medidas de eficiência . O  bem planejado  fornecimento de água, eliminação de resíduos, energia e outros serviços vão evitar as condições de favelas e aumentar o bem-estar dos habitantes.
6- A fim de cumprir as metas previamente acordadas para  universalização da educação , decisores políticos em países com baixa frequência escolar precisa trabalhar com financiadores internacionais e organizações, tais como  UNESCO, UNFPA, UNICEF, FMI, Banco Mundial e Educação para Todos . Barreiras financeiras e não financeiras devem ser superadas para conseguir alta qualidade ensino primário e secundário para todos do mundo jovem, assegurando a igualdade de oportunidades para meninas e meninos.
7- Os cientistas naturais e sociais precisam aumentar seus esforços de pesquisa sobre a interação entre o consumo, as mudanças demográficas e impacto ambiental. Eles têm um papel único e vital no desenvolvimento de um quadro mais completo dos problemas, as incertezas encontradas em todas essas análises, a eficácia de possíveis soluções, e proporcionando uma fonte aberta, confiável de informação para os decisores políticos e ao público.
8- Os governos nacionais devem  acelerar o desenvolvimento de medidas abrangentes de riqueza . Isto deve incluir reformas do sistema de contas nacionais, e melhoria na contabilidade de ativos naturais.
9- A colaboração entre os governos nacionais é necessário para desenvolver sistemas sócio-econômicos e instituições que não são dependentes do crescimento contínuo de material de consumo. Isto irá informar o desenvolvimento e implementação de políticas que permitem que as pessoas e o planeta floresçam."
Significa pararmos com aquele discurso medíocre(no mau sentido)de pobre de espírito com recursos financeiros limitados: "chegou a minha vez de imitar e levar a vida de rico que sempre sonhei" como pontuou muito bem Steven Levitt em seu livro Freakonomics. Significa sim que chegou a nossa vez de participar e sermos incluídos na construção da evolução de uma sociedade mais inteligente e mais sensível ao planeta no qual vive e do qual depende para continuar vivendo. 
Confira o estudo completo em inglês clicando no link:
RoyalSociety